Questão 1 Criança de 8 meses de idade procurou serviço de emergência durante a madrugada. Sua mãe referia história aguda de febre por 6 horas, de início súbito, e que rapidamente atingiu 40 graus centígrados. Medicada pela mãe com pirazolona e banhos, obteve melhora temporária do quadro, mas sem melhora do estado geral. Evoluiu rapidamente para novo surto febril, seguido de torpor, sonolência e aparecimento agudo de lesões vermelhas espalhadas pelo corpo, levando à mãe a procurar o serviço de urgência. A mãe não informava história de contato, patologia prévia ou uso de medicamentos. Ao exame, a criança se apresentava em mau estado geral, sonolenta, hipoativa e respondendo somente aos estímulos dolorosos. Chamava atenção a presença de múltiplas lesões petequiais em todo o corpo com predomínio em pernas e braços, também havia lesões petequiais na conjuntiva de ambos os olhos. Não apresentava rigidez de nuca nem sinais meníngeos ou sinais de localização. A pressão arterial era de 80/30, o pulso fino, FC 140, ritmo cardíaco regular taquicárdico sem outras alterações. Aparelho respiratório tinha ausculta normal somente com taquipnéia de 40 inspirações por minuto. Qual seria seu primeiro diagnóstico:
Salário de médico do SUS pode ficar isento de IR27/06/08
O Projeto de Lei 3001/08, do deputado Vilson Covatti (PP-RS), determina que os honorários ou salários dos médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) não sejam sujeitos à incidência do Imposto de Renda. De acordo com o autor, a medida visa a dar mais equilíbrio à relação entre o SUS e os médicos, que em sua opinião são mal remunerados.
O parlamentar argumenta que a lei já permite isenção tributária aos hospitais filantrópicos, o que estabelece uma falta de isonomia de tratamento entre os profissionais e as instituições. "Talvez a solução ideal seria aquela que envolvesse a atualização realista da tabela do SUS, oferecendo, de maneira transparente, remuneração a mais próxima possível da requerida pelo mercado; mas isso não garantiria a isonomia", disse.
Tramitação A proposta, que tramita em caráter conclusivo, será analisada pelas comissões de Finanças e Tributação, que também se manifestará quanto ao mérito; e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).
O MÉDICO DO PSF TEM CAPACIDADE DE SUBSTITUIR O PEDIATRA???
A pergunta básica é: será que o clínico geral que atende adultos, embora recebendo aulas através de cursos que procurem transmitir-lhe noções de Pediatria e Adolescência, está realmente preparado para prestar assistência adequada à criança e ao adolescente, com visão de suas diferentes etapas de crescimento e desenvolvimento, conhecimento de seus problemas orgânicos, mentais, psicológicos, familiares, educacionais e sociais?
A resposta é: não, mesmo dentro da visão de Medicina em nível primário. A formação do pediatra é complexa, muito diferente da do clínico de adultos, sob numerosos e importantes aspectos citados acima, que vão desde o estudo e compreensão do crescimento e desenvolvimento nesse período da vida até os problemas gestacionais, imunitários, alimentares, higiênicos, familiares, educacionais, dentro de um contexto social que a atinge profundamente, além das patologias próprias da infância e adolescência.
Como ressalta a comissão da SBP destinada a este estudo, já de início chama a atenção a "gigantesca discrepância entre a carga horária mínima de 3600 horas destinada à formação do pediatra e as 80 horas de treinamento em Aidipi recebidas pelo médico de adultos para a habilitação ao atendimento de crianças". A experiência tem mostrado, em países onde este programa já vem sendo realizado há muitos anos, contando apenas com médicos de adultos, graves erros no diagnóstico e condução destas situações. Como alternativa, a comissão da SPB sugere, nos locais onde não existir pediatras em número suficiente, o aproveitamento do clínico geral treinado para este atendimento até que surjam condições para a inclusão do pediatra na equipe.
Em resumo, o sucesso do PSF não deve levar em conta apenas os aspectos quantitativos já apresentados acima, mas sobretudo os qualitativos. É evidente que o objetivo do Programa de Saúde da Família é não apenas prestar assistência a uma enorme parcela de nossa população sem possibilidades de acesso aos recursos médicos em nível primário atualmente existentes em nosso país. É muito maior. Procura resgatar os direitos dessa população, de modo simples, mas com a necessária qualidade. É um direito de cidadania. Por todos estes motivos a luta da Sociedade Brasileira de Pediatria merece todo o nosso apoio.
A importância da Pediatria no mundo moderno ultrapassa a sua grande gama de conhecimentos etiológicos e fisiopatológicos das doenças das crianças e projeta-se além das suas eficientes técnicas diagnósticas e terapêuticas. A atribuição mais genuína da pediatria é proteger e cuidar do indivíduo em uma de suas fases de maior vulnerabilidade.
A pediatria estrutura-se em uma assistência integral à criança e ao adolescente. Os pediatras representam o recurso mais qualificado para atender a criança e o adolescente, tanto em nível de atenção primária quanto em níveis de maior complexidade. As famílias levam seus filhos ao pediatra com a certeza de que é possível enfrentar e vencer muitas doenças. O trabalho do pediatra contribuiu, através dos tempos, sobretudo nas últimas décadas, para diminuir a morbidade e a mortalidade de crianças e adolescentes no nosso país. Ressalte-se a importância capital de inúmeros outros fatores responsáveis por essa diminuição, mas não se pode negar a influência cultural e prática do atendimento das crianças realizado pelos médicos pediatras. Paradoxalmente, no entanto, o exercício da pediatria nos dias de hoje realiza-se em meio a conflitos, dilemas e dificuldades econômicas.
A moderna pediatria do século XXI incorpora e aproveita os avanços tecnológicos, prioriza a promoção à saúde e a prevenção de doenças, ao lado do diagnóstico precoce e do tratamento oportunos. Para cumprir adequadamente esses propósitos, a boa formação técnica do pediatra é fundamental. Todos reconhecem a necessidade de um pediatra bem formado, permanentemente em educação continuada e com compromisso profissional, moral e ético. É preciso agir com base na avaliação da melhor certeza científica, porque hoje, mais do que ontem, as decisões médicas são vitais para o paciente. Entretanto, essas exigências não são correspondidas com a valorização do trabalho do pediatra. O pediatra de hoje encontra-se sobrecarregado com múltiplos empregos, geralmente em condições de trabalho adversas e, freqüentemente, com remuneração aquém do que seria ético.
Até o consultório do pediatra foi invadido por empresas intermediadoras de serviços médicos (convênios) que, de modo geral, remuneram muito mal. Note-se que o problema não é haver pacientes de “convênio”, mas o fato de que os intermediários entre o médico e o cliente agem com lógica mercantilista e visam apenas o lucro de suas empresas.
A realidade do atual mercado de trabalho contrasta com a expectativa dos pediatras. No passado, não muito remoto, a prática da pediatria caracterizava-se pela alta freqüência do exercício liberal da profissão. Nos últimos anos, observa-se que a profissão perdeu, praticamente, seu caráter liberal (autonomia técnica e econômica). Os honorários médicos que eram tratados diretamente com o cliente são decididos hoje por empresas intermediadoras de serviços médicos. Do mesmo modo, mudou-se a relação médico-paciente, passando terceiros a interferir em decisões técnicas. A relação médico-paciente, como se sabe, é a pedra básica da prática médica e, nos dias de hoje, tornou-se uma relação “prestador de serviço-usuário”, com vínculos transitórios. Esse fato reflete um dos grandes conflitos da prática médica atual: a fidelidade que o médico deve ao seu paciente e a que está obrigado a ter com as instituições das quais depende economicamente.
Por outro lado, deve-se ressaltar que as atividades com vínculo de emprego, público ou privado, universitárias ou não, também remuneram o pediatra com baixos salários. Além do mais é freqüente a falta de condições adequadas de trabalho em vários serviços e o número excessivo de atendimentos por jornada de trabalho. Ou seja, as dificuldades ultrapassam o terreno da sobrevivência econômica da profissão e atingem a realização da vocação profissional. Note-se, no entanto, que como em todas as áreas de atividade humana, existem exceções e é possível encontrar, em alguns serviços, uma melhor condição para o exercício da pediatria.
Tendo em vista o contexto atual do exercício da pediatria, tanto no setor público quanto no setor privado, é preciso encontrar caminhos que resgatem a dignidade da profissão. Urge encontrar respostas para questões fundamentais: Como manter incólume a autonomia profissional do pediatra, cada vez mais ameaçada, preservando-se a boa qualidade da assistência prestada, como remunerar adequadamente o trabalho do pediatra?
A tarefa de revalorizar o exercício da pediatria é de responsabilidade de todos: das sociedades de pediatria, da universidade, dos serviços de formação de pediatras e de cada um dos médicos pediatras. É vital buscar o resgate da relação médico-paciente, da autonomia do trabalho médico, da melhor assistência pediátrica a todas as crianças (evitando-se políticas equivocadas em relação à saúde infantil), da boa formação técnica e ética dos pediatras, além da valorização da consulta do pediatra e da sua remuneração, que é parte intrínseca do ato médico. Neste trabalho não é lícita a omissão de ninguém, sob qualquer pretexto, sendo vital a participação de todos, tanto do pediatra prático quando do professor de pediatria ou do diretor de serviço médico. Ressalta-se a necessidade de encontrar aliados na sociedade civil e no meio médico, uma vez que todas as especialidades médicas vivem problemas semelhantes e nenhuma solução será encontrada isoladamente. De fato, uma observação geral do movimento atual evidencia que o conjunto das entidades médicas nacionais trabalha, coordenadamente, com várias propostas que podem efetivamente ajudar a melhorar o panorama do exercício da profissão no país. Na pauta dos movimentos da classe médica estão: a Lei do Ato Médico, a regulamentação da abertura de novas escolas médicas, a melhor formação profissional na graduação e na residência médica, a educação médica continuada, as condições do exercício profissional e a remuneração no setor público, valorização e adequação do trabalho médico no setor de saúde suplementar com a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM), além de ações pontuais peculiares a cada especialidade. Nesse sentido, releve-se o trabalho que vem sendo realizado nessa área pela Sociedade Brasileira de Pediatria e por suas filiadas, como a Sociedade de Pediatria de São Paulo. Pode-se citar como exemplos desse trabalho: a participação da pediatria ma CBHPM (antiga reivindicação dos pediatras), melhor remuneração no SUS do pediatra na sala de parto, participação do pediatra no Programa de Saúde da Família, valorização do trabalho clínico em consultório nas Unimeds, além da promoção de uma ampla discussão e reflexão sobre o exercício da pediatria, que hoje, praticamente, envolve todos os pediatras, inclusive aqueles das universidades.
É verdade que atualmente parece existir uma menor procura da pediatria pelos jovens médicos, conforme sugerem a diminuição de candidatos à Residência e o concurso do Titulo de Especialista em Pediatria (TEP). Porém, a pediatria continua sendo uma das maiores especialidades médicas do país. Segundo a pesquisa “Perfil dos Pediatras do Brasil”, em 1.999 existiam 31.532 pediatras no Brasil (estima-se que hoje existam em torno de 35 mil), 78,72% deles satisfeitos por exercer a profissão. Em que pese os conflitos e os dilemas, a vocação pediátrica continua vencendo porque o trabalho do pediatra, realizado sob a égide da ciência e da ética, confere à pediatria seu caráter de profissão de serviço e lhe outorga sua nobreza e dignidade.
Autor: Prof. Dr. José Hugo de Lins Pessoa Professor Titular de Pediatria da Faculdade de Medicina de Jundiaí, SP; Presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo – gestão 2007-2009
Texto publicado na Revista Paulista de Pediatria, Vol. 22, nº 04
A ESPECIALIDADE DE PEDIATRIA-SITUAÇÃO ATUAL NO BRASIL(CONTINUÇÃO 2)
Da concepção ao nascimento, da alta da maternidade ao final da adolescência, a responsabilidade sobre a saúde desses brasileiros é do pediatra. A sociedade não pode ficar alheia a esse cataclismo que se abate sobre o nosso país. Tampouco os pediatras.
Sidnei Ferreira.
Responsável pela Câmara Técnica de Pediatria do CREMERJ
Professor de Pediatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro
A ESPECIALIDADE DE PEDIATRIA-SITUAÇÃO NO BRASIL(CONTINUAÇÃO 1)
Um economista diria simplesmente que é um problema de mercado, oferta e procura, e teria razão. Contudo, trata-se de um ofício essencial que lida com a saúde e as doenças dos seres humanos nas suas duas primeiras décadas, que se refletirão para o bem ou para o mal nas décadas seguintes até o final das suas vidas.
Relembro que o acesso dos médicos mais novos ao consultório é a cada dia mais complicado e que a consulta pediátrica é muito complexa e demorada. Além da coleta da anamnese, do exame físico, dos pedidos e interpretações de exames complementares e prescrição e orientação, cuida do crescimento e desenvolvimento, da prevenção das doenças da infância e do adulto, da prevenção dos acidentes, orienta o calendário vacinal, e utiliza diversos gráficos e parâmetros.
Quais as complicações desse esvaziamento? Atendimento cada vez mais precário das nossas crianças e adolescentes, tanto no serviço público quanto no privado, pediatras especialistas em menor número do que os não capacitados adequadamente para o atendimento, inclusão de médicos de outras especialidades e não médicos aproveitando o espaço que aumenta a cada dia. Mais uma vez, pode-se acrescentar outras dezenas de (maus) exemplos como os citados.
O que se pode fazer, para reverter essa situação? Melhorar a remuneração dos generalistas, incentivando o retorno desses ao mercado, remunerar também pela complexidade da consulta, assim como se remunera no consultório pelos procedimentos como eletrocardiograma, endoscopia, biópsia, etc, remunerar pela avaliação do crescimento e desenvolvimento e demais métodos utilizados pelo pediatra, claro que com valores relativos e pertinentes, valorização da prática pediátrica com a inclusão do pediatra no PSF, além de iniciativas que beneficiariam a todas a especialidades, como plano de carreira, cargos e salários, oportunidade de reciclagem anual ou semestral, acesso facilitado à Internet, artigos e livros, regular o número de vagas oferecidas nas faculdades pela necessidade do mercado, para que haja equilíbrio entre oferta e procura, sem prejudicar nenhuma das partes envolvidas, e exigir graduação e residência médica de boa qualidade, oferecendo tantas vagas para a residência quanto o número de formandos. Muito mais pode ser feito com resultados positivos.
Temos que continuar a luta pela melhoria de vida de nossos pacientes e sua família, como temos feitos nos últimos cem anos. Licença Maternidade Ampliada, Licença Paternidade, Estatuto da Criança e do Adolescente, Segurança Infantil, entre outras, mas urge lutarmos, também, pela melhoria de vida nossa e das nossas famílias.
Sabemos que é muito difícil para nós, pediatras, colocar como ponto de honra a remuneração, já que nenhuma outra especialidade se envolve tanto com as questões sociais de seus pacientes como os pediatras. Mas se não o fizermos, morreremos como profissionais e como cidadãos.
Há três anos, então Presidente da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro, escrevi artigo sobre o pediatra e essa bela e essencial especialidade, marcando o dia comemorativo do Pediatra. Alertava, à época, que "o pediatra não tem tempo de descansar, refletir, estudar e se relacionar adequadamente com o paciente e sua família. A família do pediatra também se ressente da falta do seu convívio". Advertia, também, que "muitos dos pediatras não tem acesso à Internet, livros e periódicos devido a condições econômicas precárias. Estes estão tristes e desmotivados para a profissão". Lembrava, ao final, da honra da pediatria "a história da pediatria foi e continua sendo escrita por nomes conhecidos, mas também por anônimos pediatras que, com dedicação e amor à profissão e ao seu semelhante, cuidam das nossas crianças e adolescentes, escrevendo a cada dia uma linha da gloriosa história da Pediatria", e clamava "a sociedade não pode deixar que esta história termine. Caso isso aconteça, terá um final bastante infeliz".
Hoje, o quadro só agravou. Temos cada vez menos médicos dispostos a abraçar essa especialidade. Sobram vagas para residência em pediatria em vários Serviços pelo Brasil afora, vagas antes disputadas por um grande número de recém-formados e preenchidas pelos melhores preparados.
Lutamos pelo aumento de vagas para a residência médica, melhoria das bolsas pagas e das condições de trabalho e estudo dos futuros pediatras. Mas o que assistimos, hoje, é o esvaziamento dessa fundamental especialidade.
Vários são os motivos que levam o médico recém saído da faculdade a escolher uma especialidade. Influência de pais, parentes ou professores especialistas, afinidade, melhor remuneração, atrativo científico, adaptação à sua personalidade, amor àquele segmento da medicina, busca do sucesso e da fama, e muitos outros que certamente cada um de nós há de ter em mente.
Entretanto, o que faz um médico não escolher ou desistir de uma especialidade antes tão admirada e procurada? Baixa remuneração, condições adversas de trabalho, consulta demorada, complexa e remunerada de forma inadequada, grande envolvimento emocional com o paciente e sua família, levando a sofrimentos e preocupações, poucas perspectivas a curto e médio prazo de melhoria, mercado fechado para a autonomia, aumento da concorrência com a inclusão de médicos com formação cada vez mais precária, desvirtuando e agravando a baixa remuneração, podendo-se acrescentar a essa lista dezenas de motivos pelos quais o médico não quer ser pediatra.
Mas não é só com a pediatria que esse fenômeno está ocorrendo. As especialidades "sem procedimento", ou seja, sem um ganho a mais do da consulta médica, correm os mesmos riscos, já que o salário é baixo e as consultas são pagas pelos ditos convênios a preço vil.
PEDIATRA X MÉDICO DO PSF-VOCÊ CONFIARIA SEU FILHO A UM PEDIATRA OU A UM MÉDICO DO PSF?
Razões para inclusão da pediatria no Programa Saúde da Família (PSF) . (Carta à Presidência da República. Junho de 2006).
1. Os cuidados qualificados com o ser humano em crescimento e desenvolvimento representam condição indispensável à criação de gerações saudáveis em nosso país.
2. Tais cuidados implicam conhecimentos referentes às necessidades bio-psico-sociais e ambientais, bem como a capacidade de identificar precocemente, e com precisão, os indícios dos agravos à saúde que incidem nesse ciclo de vida e podem comprometer o crescimento e o desenvolvimento de crianças e adolescentes.
3. As evidências científicas da atualidade demonstram que o investimento em saúde na primeira infância determina a redução de uma série de doenças prevalentes na fase adulta, resultando na formação de uma sociedade mais saudável, com menor custo para o sistema de saúde.
4 A pediatria começou a se desenvolver no ano de 1722, na Basiléia, quando o médico Théodore Zwinger demonstrou que os sinais e sintomas das doenças das crianças são muito diferentes dos que se observam no organismo adulto. Desde então, os médicos passaram a acentuar a necessidade de se conhecer as peculiaridades das reações do organismo infantil, para se tratar adequadamente das doenças que o acometem. Com a introdução da metodologia científica na produção de conhecimentos, a pediatria delimitou-se como ramo da medicina especializado no ser humano em crescimento e desenvolvimento. Tornou-se um importante campo de atuação médica, em cujo desempenho prevalecem componentes educativos, preventivos e terapêuticos, dispensados por profissional médico preparado para essa habilitação técnico-científica ao longo de 6.000 horas de treinamento em serviço credenciado pelo MEC. Nenhum outro profissional iguala-se ao pediatra na diferenciação necessária para prover cuidado integral e de qualidade à saúde da criança e do adolescente.
5. O PSF ignora a fase de desenvolvimento científico alcançado pela medicina da criança e do adolescente no século XX, ao incorporar modelo de assistência primária que prevaleceu nos séculos XVIII e XIX, com exclusão do atendimento pediátrico. Nega, assim, a essa faixa etária da população, o direito de acesso aos cuidados mais qualificados para sua saúde. A assistência primária precisa ter elevado grau de resolução dos problemas de saúde. Não pode ser desqualificada, superficial, como costuma ocorrer no PSF, quando estão em jogo as necessidades fundamentais de crianças e adolescentes. A atenção primária requer muita qualidade profissional, algo que falta ao médico de família do PSF, para atuar no vasto campo de conhecimentos da pediatria, que ele não domina.
6. O PSF tem o mérito de remunerar adequadamente o profissional de saúde. Reconhece que o salário digno é fator motivacional do trabalho numa economia de mercado. Se não oferecesse remuneração atraente não teria sido possível a sua implantação em tão curto espaço de tempo. Violenta, contudo, o quadro de pessoal do SUS, cuja remuneração fica muito aquém da que se paga ao médico do PSF para o mesmo tipo de atividade profissional.
7. Por conta do salário pago pelo PSF e da pouca exigência de maior qualificação do médico que integra suas equipes, o reflexo negativo dessa estratégia já se faz sentir nos programas de residência médica do país. Ao invés de buscarem o aprimoramento de sua formação anos subseqüentes à formatura, como sempre se fez no Brasil, os médicos recém-formados, sem experiência profissional, preferem começar seu exercício no PSF, atraídos pelo salário e pela facilidade ilimitada de ingresso no programa. A bolsa de estudos paga a um médico residente é de R$1.600,00 para atividade em tempo integral, com carga horária obrigatória de 60 horas semanais. O salário pago pelo PSF varia de R$4.000,00 a R$7.000,00 por uma atividade de 40 horas semanais. A conseqüência dessa distorção se mostra na drástica redução de candidatos à residência médica no país. O fenômeno, nunca dantes registrado, expande-se nacionalmente. Sobram vagas nos serviços que oferecem programas de residência médica. Além disso, o PSF retira os pediatras que atuam nas unidades de atendimento pediátrico do SUS, onde a remuneração é aviltante. Esses profissionais convertem-se em médicos do PSF para garantirem remuneração digna. Deixam de ser pediatras, porquanto são obrigados a assistir pessoas de 0 a 100 anos de idade, para o que não estão preparados. Ou seja, o PSF produz estrago na pós-graduação lato sensu do país sem acrescentar qualidade à assistência primária que se propõe garantir à população. Ademais, deixa desfalcados os quadros de pessoal das unidades de atendimento pediátrico do SUS em todos os níveis de complexidade. Um impacto desastroso e irresponsável sobre o exercício profissional de uma das áreas de atuação comprometida com prioridades definidas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
8. O PSF reforça a discriminação da classe social pobre do país. Esta constatação é inquestionável. A assistência à saúde de crianças e adolescentes pelo PSF não é assegurada pelo médico preparado para as exigências requeridas nesse mister. Ao contrário, vem se fazendo por meio de profissional não médico ou por médico sem formação pediátrica. A discriminação é evidente e inaceitável. De fato, os filhos de todos os gestores do sistema público de saúde - municipais, estaduais e federais -, incluindo-se o ministro da saúde e os coordenadores do PSF, são assistidos pelo pediatra, nunca pelo médico das equipes do PSF. Reconhecem que seus filhos têm direito à melhor assistência à saúde do seu tempo. O mesmo direito não reconhecem para os filhos das famílias pobres. Para eles reservam os serviços do chamado médico de família que, na maioria das vezes, é um recém-formado ou aposentado, ambos despreparados para prover a assistência pediátrica essencial a todos os níveis da atenção à saúde. França, Espanha e Inglaterra implantaram, muito antes do Brasil, o tipo de assistência médica proporcionado por profissional generalista. Já reviram o equívoco e introduziram o pediatra no atendimento a crianças e adolescentes como requisito de qualidade da atenção à saúde nessa faixa etária.
9. A composição das equipes do PSF precisa ser revista urgentemente para garantir a crianças e adolescentes pobres o direito de acesso à assistência pediátrica. O Programa não pode mais avançar nos estragos que provoca. A inflexibilidade dos coordenadores do PSF é de natureza fundamentalista. Não se baseiam em argumentos fundados no conhecimento da realidade, nem respeitam os princípios éticos da eqüidade e da igualdade. Não aceitam que seus filhos sejam nivelados aos filhos dos pobres. Não abrem mão, para os seus, da assistência pediátrica que negam às crianças e adolescentes dos outros, isto é, dos pobres do País.
10. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) defende, há vários anos, o direito de crianças e adolescentes à assistência pediátrica. Propõe a inclusão da pediatria no PSF. O presidente Lula, ainda na campanha de 2002, manifestou desejo de estar “junto com a SBP, para resgatar a dignidade de crianças e adolescentes”, O ex-Ministro Humberto Costa falou aos pediatras em seu dia, 27de julho, em 2003, reconhecendo a importância e o papel da pediatria no PSF e admitindo sua flexibilização. Na prática, o Ministério da Saúde ignora os argumentos da pediatria brasileira, preferindo adjetivá-los de corporativos. É a atitude própria de quem não tem como argumentar diante de evidências contundentes de que incorre em grave equívoco.
A SBP, coerente com sua história de lutas em favor da infância e da adolescência brasileiras, reivindica a flexibilização do PSF para assegurar a assistência pediátrica por pediatra, segundo as condições e características de cada realidade do País. Vale dizer, desde a inclusão do pediatra na própria equipe do PSF até sua atuação na retaguarda de uma ou mais equipes, encarregando-se da atenção primária a crianças e adolescentes no contexto e nos princípios do Programa, com carga horária ajustada à necessidade específica de cada situação, porém com a mesma remuneração paga ao médico de família, respeitada a proporção da carga horária adotada.
Brasília, 04 de julho de 2006
Dioclécio Campos Júnior Presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria
Antigamente, era comum ouvir o conselho — às vezes até forçado — nas famílias para que os filhos optassem por cursar medicina, Direito ou engenharia. O tempo passou e surgiram muitas novas profissões, mas mesmo assim, as tradicionais carreiras continuam muito bem cotadas no mercado de trabalho. É o que aponta uma pesquisa do IBGE/Pnad, que fez um levantamento do salário inicial de mais de 200 ocupações e mostrou que entre as mais bem remuneradas estão as carreiras ligadas às três graduações.
Para o especialista em gestão de carreiras, Marcos Tonin, diretor da consultoria Apoema, a melhor remuneração dessas profissões se justificam também pela tradição. “São carreiras que estão mais em evidência. Todo mundo entende bem o que faz um médico, um advogado ou um engenheiro e a importância é reconhecida pela sociedade de uma forma geral”, pondera.
Ele destaca que assim como qualquer outra profissão, as três ocupações possuem prós e contras, mas que também exigem um investimento maior do candidato a seguir carreira. “O médico investe anos estudando, assim como o aluno de engenharia. No ramo de Direito, os concursos públicos são muito disputados e, por isso, também é preciso muito estudo. Dessa forma, a recompensa vem com a possibilidade de ascenção rápida no início da carreira”, avalia.
Atualmente, ele analisa que o mercado apresenta panoramas diferentes para cada uma das três carreiras. “Na medicina ainda existe um campo aberto de atuação que absorve a todos os formandos. A engenharia, principalmente no setor da construção civil, também está crescendo bastante. Já para o formado em Direito, o campo de trabalho está mais saturado”, compara.
Na opinião de Tonin, dentro de um futuro próximo, a tendência é que profissões na área de humanas sejam mais valorizadas. Isso não significa que medicina, Direito e engenharia vão perder o lugar no ranking, mas uma tendência de melhor remuneração para outras áreas. “Os profissionais que lidam com o desenvolvimento de pessoas e competências vão ser beneficiados. Mas o principal fator para o sucesso é analisar a situação e achar brechas para oferecer ao mercado um diferencial”, afirma.
CARREIRA. Formada há seis anos, a endocrinologista Ana Cláudia Felici não teve dificuldades para iniciar a carreira em medicina. “O médico tem a vantagem de nunca ficar desempregado. Sempre vai ter algum plantão a ser feito que ao menos garante o sustento financeiro”, salienta.
Na opinião dela, o melhor pagamento para os médicos se justifica pelo longo tempo investido na formação, assim como pela responsabilidade que está nas mãos dos profissionais. “Comparando com outras carreiras, o médico tem melhor salário inicial mesmo. Mas é um profissional que mexe com vidas”, ressalta Ana Cláudia.
Mesmo assim, o peso da boa remuneração não foi determinante para Ana Cláudia na escolha da carreira. “Eu levei mais em conta o fato de poder ajudar as pessoas e fazer algo pelos outros. Mas a tradição da medicina também ajuda um pouco na decisão”, diz.
FIQUE POR DENTRO
Ranking de salários iniciais do IBGE/Pnad.
Para ver na íntegra, acesse: www3.fgv.br/ibrecps/IV/rank_tot_renda.xls
Profissão - Salário inicial
Juízes e desembargadores - R$ 13956,00
Diretores gerais - R$ 7371,40
Médicos - R$7029,00
Dirigentes de empresas - empregadores com mais de 5 empregados - R$ 4268,00
Engenheiros eletroeletrônicos e afins - R$ 4266,70
Engenheiros civis e afins - R$ 4229,50
Outros engenheiros, arquitetos e afins - R$ 3736,20
Profissionais em pesquisa e análise econômica - R$ 3662,10
Engenheiros mecânicos - R$ 3551,70
Diretores de áreas de apoio - R$ 3497,40
Técnicos e fiscais de tributação e arrecadação - R$ 3461,00
Professores do ensino superior - R$ 3372,70
Agrônomos e afins - R$ 3277,00
Engenheiros químicos - R$ 3248,60
Analistas de sistemas - R$ 3182,30
Cirurgiões-dentistas - R$ 3131,30
Arquitetos - R$ 3108,90
Advogados - R$ 3009,10
Autor: Renan Magalhães / renan.santos@rac.com.br Da Agência Anhangüera Fonte: Diário do Povo
A Folha de São Paulo de sábado, dia 13. traz matéria assinada porAlexandre Nobeschi, com a seguinte manchete“Conselho quer incentivar “elogios” ao SUS”.
Digamos que o Conselho Nacional de Secretários de Saúde não é apenas pretensioso, é de uma coragem sem limites...
A propósito, o lançamento de um concurso que pretende premiar jornalistas que divulguem matérias positivas sobre o Sistema Único de Saúde ou é piada ou queda de braço entre o Conselho e profissionais da imprensa e o que está em jogo é saber qual dos dois lados tem mais coragem de afrontar a população brasileira, que vê seus entes queridos morrerem nas portas dos hospitais, onde falta tudo, de médicos a simples analgésicos de leitos a equipamentos em condições de uso.
A propósito, o assunto, que já virou polêmica, vem a tona exatamente na semana em que se comemora o DIA DO MÉDICO (l8-l0) que,diga-se de passagem, nada tem a comemorar.
Medicina não é comercio, afirmou=me, dia destes, um dos médicos mais dedicados que conheço.Mas, convenhamos, ser remunerado pelo SUS a preço de pinga (dez reais por consulta) é aviltante!!! Mesmo assim, o Ministro da Saúde ocupa horário nobre da televisão, em rede nacional, para anunciar que o salário dos médicos foi elevado de sete para dez reais por consulta...
Inacreditável a inversão de valores que crassa no país! Comparece-se as mordomias concedidas aos parlamentares, além dos gordos salários, comparece-se os salários pagos aos magistrados, a prefeitos e vereadores,alguns dos quais semi-analfabetos, com os dez reais, por consulta pagos aos médicos do SUS.
Dez reais por consulta é quanto vale um médico? Quanto custou a formação profissional de um médico? Quantas horas de sono sacrificadas, enquanto estudante, quanto custam suas noites mal dormidas em intermináveis plantões?
Há pouco, quando do julgamento dos mensaleiros no STF, a imprensa noticiou que os super star da advocacia no Brasil, cobraram 10 mil reais por minuto para fazerem a defesa oral dos acusados perante a Suprema Corte.
Não é que não mereçam cobrar seus honorários, deveriam cobrar até mais para defender causa tão ingrata. Faço referencia ao fato para indagar: se o advogado vale 10 mil reais por minuto, quanto vale o médico?
Acredito que ambos tenham igual valor. Entretanto, quando, mesmo um super star, perde uma causa, o pior que pode acontecer é dar prejuízo material ao cliente, com chances de recursos, mas quando um médico perde um paciente, por motivos alheios a sua vontade e a sua competência, tais como falta de leitos, falta de equipamentos, falta de remédios, é uma vida que se vai.A diferença entre ambos é a vida ou a morte.
O Ministro da Saúde deveria aproveitar o Dia do Médico e, pelo menos, refletir a respeito e exigir, não mendigar, mais verba para sua pasta e tentar tirar a saúde da UTI. O povo agradece, embora não precisasse, porque esta é a obrigação do Governo, quem não tem competência, não se estabelece.
Emoções e exageros à parte, achei interessante divulgar este e-mail que recebi. Quando mostro meus recibos de pagamento aosmeus amigos, e mostro a eles que ganho menos que R$5,00 por um chamado ao pronto-socorro para atender um paciente do SUS, o povo fica impressionado. Isso sem falar que o ato médico prescreve em cinco anos (ano passado prescrevia em 20!). Acho que vale à pena ler e pensar um pouquinho, por que acho que isso não ocorre só com os médicos.
Os MÉDICOS chegaram ao fundo do poço.
O "Diário de Natal" publicou uma carta patética sobre o aviltamento da profissão médica, caracterizado pela desvalorização do "Coeficiente de Honorários" em 308% nos últimos nove anos, o que representa um decréscimo no valor recebido pelos profissionais, se calculado em dólar, em 351%. O documento, mais que uma reclamação, uma seríssima denúncia do ponto a que
"Médicos, companheiros de profissão, como descemos... Quando meu pai, médico, aposentou-se há nove anos, disse que estava fazendo aquilo porque a profissão médica havia chegado ao fundo do poço e não aguentava ver a classe descer mais do que aquilo. Nesses nove anos os salários e até o CH (coeficiente de honorários), criado para proteger o trabalho médico, desvalorizou 308,68% se comparado ao
José Augusto Freire
Neurosurgeon
Cuiabá – MT - Brazil
salário mínimo ( e nós pagamos salários baseados no mínimo aos funcionários); desvalorizou 73,47% pelo IBG que mede o índice de preços ao consumidorinflação), índice este que sabemos ser maquiado pelo Governo Federal. Se "dolarizarmos" nossas perdas, elas chegam a 351,81%. Como descemos... Inicialmente fizemos cortes no orçamento, depois aumentamos a carga de trabalho, passando a dar mais plantões. Cortamos férias, nos tornamos "clientes especiais" dos bancos, inicialmente eventuais, hoje cativos.. Não temos tempo s equer para nos organizar. Como descemos! Não podemos lutar sequer na Justiça, pois o Judiciário jamais votaria a nosso favor, mesmo que estejamos certos. Os juízes já votaram seu próprio aumento salarial e, se votassem o nosso, poderia não sobrar para eles. Em 1994 um médico recebia R$ 755,00 e um promotor público R$ 1.300,00. Hoje, o médico recebe os mesmos R$ 755,00 e o promotor mais de R$ 8.000,00. Que diferença de responsabilidade ou de um curso faz com que ocorra tal disparidade? Sem falar de vereadores, auditor fiscal e outros cargos que, devido ao seu poder de autogestão dos salários foram evoluindo exponencialmente, enquanto nós retrocedemos
Como descemos! E a culpa, de quem é? De nós mesmos! Nós, que deixamos a coisa ocorrer sem reagir. Talvez devido à celebre frase: "Medicina é sacerdócio!". Mas até os padres, hoje em sua maioria vivem bem, comem bem, dormem bem, têm carro, vestem-se bem, viajam. A culpa é nossa por t ermos aceitado dar plantões em condições mínimas! Sem água? Compramos água. Comida ruim? Compramos comida. Não há material? Improvisa Tudo em prol da continuidade do serviço e do paciente. A culpa é nossa por termos criado uma cooperativa médica que pode proteger a todos, menos ao médico. Veja uma diária hospitalar hoje e há oito anos. Quem protege quem? Os planos de saúde aprenderam que não temos tempo para reclamar e pagam o que querem, quando querem e se quiserem. Como descemos! Chegamos no nosso carrinho, cara de cansados, exaustos, na verdade, maltrapilhos e somos atendidos pelo gerente do plano de saúde: bem dormido, gravata, perfumado e de carrão zero às nossas custas. Burros de cangalha é o que somos! O Governo também aprendeu que não temos força para cobrar o que é de direito: retira gratificações, suspende pagamentos. É como se fôssemos isentos de obrigações financeiras. . Coitados de nós! Como descemos!!!! Temos medo de pedir um orçamento a um pintor ou pedreiro. Estamos apertados para pagar o colégio dos nossos filhos. Achamos que se continuarmos assim, vamos acabar pagando para trabalhar. Estamos enganados! Já estamos pagando, pois as noites em claro nos renderam doenças e problemas de saúde que nossa aposentadoria do Estado de R$ 400,00 somados ao INSS de R$ 800,00, mais talvez uma previdência privada, não conseguem cobrir. Pagamos, porque a nossa ausência em casa na busca de manter um "padrão de vida",não tem preço. Nossos filhos estão à mercê de drogas e maus exemplos, devido ao abandono.
E como dizer aos nossos filhos para estudarem, pois vale a pena ? Eles vêem o exemplo do pai que estudou tanto, fez tantos cursos, passou tantos concursos e tem uma qualidade de vida tão ruim. E aí vem o "Big Brother", as novelas e pessoas que vivem melhor, até de forma ilícita. É difícil fazê-los compreender que os que nos mantêm em nossa profissão, o que nos alimenta a alm a e o espírito são duas coisas: o amor pela prática médica e a incapacidade que temos de reverter todo o investimento que fizemos à mesma. Se o medo é de pagarmos para trabalhar, pode ficar ciente de que já estamos fazendo isso! Acho que deveríamos ser mais radicais e não aceitarmos imposições, pois sabemos que estamos totalmente certos ! Temos que ganhar melhor para atendermos melhor a nossos pacientes. Temos que dormir bem, para atendermos melhor a nossos pacientes. Temos que estudar e nos atualizar, para atendermos melhor a nossos pacientes. Queira ou não, tudo isso depende de remuneração !"
ESTÁ NA HORA DE TODOS OS MÉDICOS DO BRASIL SE UNIREM POR MELHORES CONDIÇÕES DE TRABALHO E REMUNERAÇÃO DIGNA , ATUALIZADA !!!!!! CHEGA DE SERMOS ESCRAVOS, HUMILHADOS !! SEM UNIÃO, NADA CONSEGUIREMOS !! UM JUIZ SALVA A VIDA DE ALGUÉM? ENTÃO PORQUE ESTA DISPARIDADE DE SALÁRIOS EM RELAÇÃO AO NOSSO ??
LEMBREM-SE QUE SOMOS NÓS QUEM TEMOS A CAPACIDADE DE SALVAR VIDAS, E VIDAS NÃO TEM PREÇO !!
chegaram os médicos, grande parte dos quais à beira da insolvência financeira, leva assinatura do Dr. Paulo Ezequiel, funcionário das Secretaria de Saúde Municipal e Estadual, no Rio Grande do Norte, e que recebeu a imediata solidariedade de outros nove médicos da rede Estadual, que também é a carta aberta. A repercussão foi tão grande, que por conta própria médicos do Brasil inteiro passaram a retransmitir a carta para colegas e amigos, via e-mail. É a seguinte a íntegra do documento:
Alerta nos hospitais: Falta interesse em estudar pediatria no Brasil
Profissionais da saúde já constataram: os jovens formados em Medicina estão desistindo de ser pediatras. É um fenômeno novo, pouquíssimo estudado, mas de efeitos devastadores se nada for feito para reverter o quadro. Se hoje sobram vagas para a especialização em pediatria, num futuro próximo vão faltar médicos que cuidem das crianças e dos adolescentes.
Nos hospitais e postos de atendimento das periferias, esse tipo de profissional começa a rarear. Quem pode, opta por trabalhar em clínicas particulares, que geralmente tendem a ser mal remuneradas. E quem não tem escolha enfrenta nos plantões hospitalares a ira de pais desesperados por seus filhos doentes. Em outras palavras: a situação tende a piorar.
A pediatria só é a ponta mais visível da distorção do exercício da medicina no Brasil. Baixos salários, muito trabalho, má distribuição deles pelo País, desestímulo para se especializarem. A soma de fatores ajuda a entender os números por trás do fenômeno. No ranking nacional dos últimos cinco anos, foram oferecidas 5.518 residências médicas de primeiro ano em pediatria, mas preenchidas 4.034. A taxa de ocupação em todas as residências pediátricas foi de 72,8% - em clínica médica, o índice foi de 92,1%, e de cirurgia plástica, 88%.
Quando um universitário se forma em Medicina, ele tem alguns caminhos a seguir. Um dos mais almejados é a residência médica. Num período de dois a cinco anos, ele se especializa em áreas como pediatria, oncologia, oftalmologia, neurocirurgia e obstetrícia, entre outras. Nessa fase, mais que um estágio intensivo, o jovem trabalha num hospital e lida com casos práticos que vão lapidar sua formação. Sem isso, ele não passa de um generalista, que aprendeu tudo nos livros da faculdade e treinou nos bonecos plásticos ou nos cadáveres doados para experimentação.
O diretor da Faculdade de Medicina da Unoeste, Fernando Pimentel, tem percebido a dificuldade da prefeitura de Presidente Prudente. Lê com freqüência manchetes nos jornais locais: "População revoltada com falta de médicos" ou "Posto municipal sem pediatras". Pelas dez vagas abertas neste ano para essa especialização no Hospital Universitário, só quatro recém-formados se interessaram.
"A situação está se tornando caótica. Em breve, clínicos vão atender pediatria, mas eles só sabem fazer o bê-á-bá." Há poucos meses, numa reunião no Conselho Regional de Medicina paulista, Pimentel quis chamar atenção para o problema: "Alguém aqui teria coragem de entregar o seu filho com suspeita de meningite para um recém-formado da USP?". Na sala com quase 20 colegas também diretores de escolas médicas, ninguém respondeu.
DISPARIDADE
O alarme faz sentido. Das prováveis causas que têm afugentado os jovens médicos da pediatria, nenhuma parece reversível num curto prazo. A principal é a baixa remuneração. Um pediatra, depois de estudar seis anos e ter no mínimo 5 mil horas de treinamento, ganha pouco mais de R$ 2 mil. Então ele entra numa sala de parto e descobre, estupefato, que recebe R$ 20 por cirurgia ante os R$ 110 de um obstetra. E se sente menos médico que outros médicos.
"Há um paradoxo: o estudante demonstra muito interesse por pediatria nas faculdades, mas na hora de decidir a especialização opta por outras áreas", diz Maria do Patrocínio Tenório Nunes, da USP e representante da Associação Brasileira de Escolas Médicas na Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM). Ela arrisca dizer que os jovens estão preferindo as carreiras com maior potencial de salário, ou seja, aqueles que prevêem procedimentos nas consultas. São elas endocrinologia, dermatologia e cirurgia plástica, entre outros modismos da profissão. "Eles estão de olho na vida futura."
Neste ano, houve 8,73 candidatos para cada vaga disputada na pediatria do Hospital das Clínicas (HC). Em dermatologia foram 50 interessados por vaga e em clínica médica, 12,2. Depois de um ano de residência médica, Enna Cristina Liu, de 26 anos, desistiu de fazer pediatria. No HC, descobriu que sua vocação não devia ser aquela. Afinal, quem gosta da área não pode se importar tanto com os cansativos plantões, o desgaste no contato com os pacientes, a tensão na UTI, os megacuidados do berçário.
Formada pela Universidade de São Paulo, ela recomeçou em outra área, a de medicina da família. Pensa em fazer nova residência, mas por enquanto atua como médica de uma unidade básica de saúde no Ipiranga, com trabalho de 40 horas semanais e salário de R$ 4 mil. "Quero ter tempo para estudar, viajar, ficar com os amigos, ir à igreja. Na residência médica tive de abrir mão de muita coisa."
Até os anos 90, pediatria figurou algumas vezes entre a mais cobiçada das especialidades, quando havia uma prevalência de homens. Com o aumento expressivo de mulheres estudando Medicina, a área pediátrica sofreu uma feminização. Paralelamente, o mercado saturou-se. Hoje são 36 mil pediatras no Brasil, um para cada 1.900 brasileiros de 0 a 19 anos - quase o dobro do necessário, segundo a Organização Mundial da Saúde. E assim veio o declínio da especialidade. Só restam os devotados.
"Antes havia poucas especialidades, hoje é o que não falta", diz a pediatra Vera Lucia Bezerra, da Universidade de Brasília e ex-secretária-executiva da CNRM. Interessado em ganhar mais, trabalhando menos, o jovem procura subespecializações. "Vejo que ele gosta de áreas relacionadas a máquinas, às novidades." Atrás de uma máquina, seguramente não há um pai ou uma mãe cobrando a cura de seu filho.
O presidente da Federação Nacional dos Médicos, Paulo de Argollo Mendes, disse que uma das principais ações da entidade, em 2009, será a luta pela aprovação do projeto de Lei 3734/2008 do deputado Ribamar Alves (PSB-MA), que define o salário mínimo profissional do médico em R$ 7 mil por 20h/semanais.
Argollo ainda disse que as esperanças das entidades médicas nas articulações do projeto são favoráveis, visto que o projeto está avançando na Câmara dos Deputados.
“Nós temos toda uma articulação entre as entidades e uma pressão sobre o parlamento. Até agora estamos sendo bem sucedidos e o projeto está avançando. Nós temos muita esperança que com este esforço que as entidades médicas estão realizando o projeto seja aprovado.”
O PL 3.734/2008, do deputado Ribamar Alves (PSB-MA), que define o salário mínimo profissional do médico em R$ 7 mil sofreu recentemente algumas mudanças. O relator do projeto, o deputado Mauro Nazif (PSB/RO), em entrevista exclusiva à TV FENAM, falou sobre as alterações feitas e demonstrou estar otimista quanto à aprovação do Projeto.
O relator ressaltou que há 48 anos a questão do salário mínimo médico se baliza em três salários mínimos e apontou as principais mudanças que realizou como relator no PL 3.734/2008. A primeira decisão, feita junto às entidades médicas, foi quanto à carga horária do profissional, definida em 20 horas semanais ou 4 horas diárias.
A segunda alteração, considerada a mais importante foi quanto ao ponto que estabelecia o reajuste salarial. De acordo com o projeto inicial, o reajuste seria baseado no salário mínimo.Agora, com as alterações de Nafif o índice de reajuste será o INPC. “Já houve projetos do mesmo teor que foram aprovados pelas duas Casas e vetados pelo Presidente por inconstitucionalidade devido ao reajuste estar baseado no salário mínimo. O INPC é considerado constitucional pelo Governo e esta alteração vai tornar o trâmite do projeto mais rápido na Casa”, apontou o deputado.
Outro ponto foi quanto ao prazo no qual o projeto entrará em vigor, definido para 90 dias após sua publicação. “Entendemos que este projeto é muito importante para os profissionais que estão padecendo trabalhando em um, dois ou três empregos. Com o salário mínimo de R$ 7 mil por 20h/semanais ele vai poder investir mais na sua profissão, vai pode se atualizar, estudar, pagar cursos e a tendência é sem duvida melhorar a qualidade de vida deste profissional; e, certamente, a maior beneficiária vai ser a população que utiliza os serviços deste profissional nas unidades de saúde,” comentou.
Mauro Nazif também explicou que mesmo este salário sendo voltado para a iniciativa privada, quando aprovado, servirá de incentivo e de base para a remuneração da rede pública de saúde. “Por tabela, e é isso o que acontece, certamente o piso será acompanhado no setor publico, e este é um dos objetivos da relatoria do Projeto.”
A medicina também traz promessas para o novo ano: há previsão de chegada de medicamentos mais específicos e com menos efeitos colaterais para o tratamento de esclerose múltipla e de arritmias cardíacas - além de um exame que permite saber como cada paciente metabolizará determinado remédio.
Equipamentos de laser mais precisos para tratar problemas de visão devem chegar ao país, além de um outro que diminui o crescimento benigno da próstata de forma menos invasiva.
A estética também é contemplada entre as novidades: um novo preenchedor visa aumentar seios e nádegas sem necessidade de cirurgia, e novos componentes naturais, como grãos de café, girassol e cogumelos, surgem para diminuir a vermelhidão da pele e estimular a reprodução celular cutânea.
Vale lembrar, no entanto, que muitos problemas de saúde podem ser evitados com medidas simples e já conhecidas. Parar de fumar, adotar uma dieta equilibrada e praticar exercícios físicos são as três orientações mais certeiras.
A Folha consultou 12 especialistas em diversas áreas para mapear 12 novidades da medicina que devem chegar ao país nos próximos meses.
Precisão na córnea
O equipamento de laser Femtosecond ganha atualização que resultará em uma maior precisão no corte da córnea, dividindo-a em camadas. Hoje, uma córnea doada pode beneficiar apenas uma pessoa. Com o equipamento, será possível beneficiar duas pessoas, que receberão camadas diferentes. Assim, quem tiver saliência da córnea, por exemplo, pode receber só a camada anterior. E um paciente com distrofia endotelial pode receber a parte posterior. A novidade também permitirá uma melhor recuperação do transplante.
Laser na retina
O Instituto da Visão da Unifesp receberá o primeiro laser de Pascal do país, um fotocoagulador a laser indicado para tratar retinopatia diabética, degeneração macular relacionada à idade, doenças vasculares e oclusivas da retina, glaucoma, entre outros problemas. O processo aumenta a precisão, a segurança e a eficiência dos procedimentos e diminui riscos.
Mais tempo para tratar AVC
Está previsto um aumento na janela de tratamento de acidente vascular cerebral: será possível tratar o paciente com remédios até quatro horas e meia depois do derrame. Até então, o paciente só poderia ser tratado com medicamentos que dissolvem o coágulo até três horas depois do acidente. Um estudo europeu provou que é possível realizar o procedimento mais tarde sem prejuízo à saúde. Isso facilitará o tratamento, porque o procedimento seguinte -a trombólise intra-arterial- é mais complexo e depende de estrutura e profissionais dos quais nem todo centro médico dispõe.
Pílula contra esclerose
O fingolimode é a primeira droga para tratar a esclerose múltipla em forma de comprimido. Hoje, portadores da doença ingerem medicamentos que não foram desenvolvidos especificamente para esse problema ou usam as opções endovenosas, que podem ser desconfortáveis.
Dose individual
Um novo exame de sangue pode identificar como o corpo de cada paciente metaboliza determinados remédios. A vantagem é adequar a quantidade de medicamento às necessidades individuais -embora a maioria das pessoas tenha um metabolismo adaptado às doses-padrão, algumas metabolizam as drogas mais rapidamente e outras o fazem de maneira mais lenta. Esse tipo de avaliação é possível por meio da medição do citocromo P-450, uma família de enzimas responsável pela metabolização de fármacos como antidepressivos, antiepilépticos, antipsicóticos e betabloqueadores.
Telemedicina em ambulâncias
Está prevista para este mês a execução de um projeto piloto firmado entre o HCor (Hospital do Coração) e o Ministério da Saúde para o uso de telemedicina nas ambulâncias do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Os veículos serão equipados com eletrocardiograma, telefone celular e computador para que, no caso de uma emergência cardíaca, a equipe possa transmitir os dados para especialistas de plantão do HCor. A meta é melhorar a assistência oferecida a pacientes que estejam em locais remotos ou que não tenham acesso fácil a um cardiologista.
Droga contra arritmias
Um novo remédio promete amenizar os efeitos colaterais decorrentes do tratamento de arritmias cardíacas. As drogas atuais podem causar problemas gastrointestinais e mesmo levar ao surgimento de novas arritmias. A drodenadora tem a mesma eficácia, mas parece trazer menos desconforto.
Fim da patente
Neste ano, expira a patente do Xenical (orlistate), medicamento usado para perda de peso que custa cerca de R$ 300 a caixa, com doses suficientes para quatro a seis semanas. Com isso, será possível encontrar similares e genéricos a preços reduzidos, estimam os especialistas, e mais pacientes poderão ter acesso a esse remédio. A principal vantagem desse medicamento é seu efeito metabólico geral, com benefícios que vão além da perda de peso, como a diminuição das taxas de colesterol.
Preenchedor corporal
Deve chegar ao mercado ainda no primeiro trimestre do ano um preenchedor em gel de ácido hialurônico para aumento de grandes áreas corporais, como seios, nádegas, panturrilhas e peitoral dos homens. Além disso, o produto poderá ser usado para preencher sulcos e cicatrizes em todo o corpo -até o momento, a substância é usada para suavizar sulcos, rugas e cicatrizes no rosto.
O ácido, quando aplicado sob a pele, provoca uma reação do próprio organismo, que o envolve com fibroses naturais, criando um volume ao redor da área. O efeito, dizem os médicos, dura até dois anos. O produto é contraindicado para portadores de doenças autoimunes como lúpus e vitiligo e para gestantes. O procedimento deverá ser realizado somente por médicos.
Cosméticos naturais
Novos ingredientes devem tirar um pouco o foco do chá verde nas prateleiras de cosméticos. A previsão é que os grãos de café, o girassol e cogumelos sejam cada vez mais frequentes na composição de cremes e outros produtos para a pele, pois estudos apontam que essas substâncias têm uma forte ação anti-inflamatória.
O café e o girassol, especificamente, têm sido associados a uma melhora na pele de pessoas que têm eritema (rubor). Já o cogumelo entra em cena porque uma substância antioxidante encontrada no fungo parece ser capaz de acelerar a multiplicação celular da epiderme. Em média, trocamos de pele a cada 20 dias. Mas esse ritmo diminui com a idade -especialmente quando as mulheres se aproximam da menopausa. O produto melhoraria a renovação celular de mulheres dessa faixa etária.
Laser para próstata
O Green Laser é um tipo de laser indicado para tratar casos de crescimento benigno da próstata -problema que atinge cerca de 85% dos homens e piora a qualidade de vida do paciente, que passa a ter dificuldade para urinar. O laser é aplicado na região e "dissolve" o tecido que cresceu em excesso, diminuindo a próstata. Será mais uma alternativa aos tratamentos existentes. O aparelho já foi adquirido pelo Hospital Alemão Oswaldo Cruz. O Hospital das Clínicas de São Paulo prevê a aquisição para o segundo semestre deste ano.
Tumor à distância
O Hifu (sigla em inglês para ultrassom focal de alta intensidade) é um aparelho que permite destruir tumores à distância por meio de ultrassom. Já é usado para tratar tumores da próstata e tem se mostrado eficiente no tratamento de câncer do rim, sendo usado atualmente sob licença nos EUA. Será indicado para tratar tumores iniciais e pequenos.
Fonte: Folha On line Última modificação:2009-01-21 - 12:53:46 Visualizações:134
A ocorrência de plantão médico com habitualidade produz reflexos da correspondente remuneração nas verbas de 13º.salário,férias,FGTS e RSR.
TST - 03/02/2009
03/02/2009 JT garante diferenças salariais por exercício de plantão médico
O Estado de São Paulo terá que pagar diferenças salariais a uma médica do Estado pelos serviços em regime de plantão. A Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho chegou a analisar o agravo de instrumento da Fazenda Pública do Estado, mas não aceitou rediscutir a questão no TST. Assim, ficou mantida a decisão do Tribunal Regional da 2ª Região (SP) que condenou o Estado ao pagamento da verba “plantão médico” com reflexos no 13º salário, férias, FGTS e descansos semanais remunerados da profissional.
No TRT/SP, o governo paulista limitou-se a alegar que os plantões realizados pela médica não eram habituais, por isso a verba não poderia ter caráter remuneratório e integrar outras parcelas. Só que tanto na 23ª Vara do Trabalho quanto no TRT, as provas apresentadas pela médica mostraram a habitualidade do serviço e sua natureza salarial.
A Fazenda Pública do Estado, então, recorreu ao TST com agravo de instrumento na tentativa de rediscutir a matéria no tribunal. Mas, segundo o relator do processo, ministro Walmir Oliveira da Costa, não houve desrespeito a normas legais ou à Constituição que justificassem o pedido.
Por fim, os ministros da Primeira Turma negaram provimento ao agravo e não permitiram o reexame do caso no TST por meio de outro recurso. A decisão do Regional de condenar o Estado ao pagamento de diferenças salariais à médica foi mantida. ( AIRR – 2030/2000-023-02-40.6)
(Lilian Fonseca)
Esta matéria tem caráter informativo, sem cunho oficial. Permitida a reprodução mediante citação da fonte Assessoria de Comunicação Social (fonte)
Estudos internacionais demonstram que o percentual de crianças superdotadas ou com altas habilidades varia de 10% a 15%. No Brasil, as estatísticas apontam um número menor, devido às dificuldades de identificação que ocorrem nas escolas. Em 2008, foram registrados, até outubro, 2,1 mil alunos com altas habilidades. “A superdotação no Brasil é encarada como um mito. As pessoas pensam em supergênios ou heróis quando, na verdade, é um fato comum e corriqueiro”, explica Marta Clarete Dutra, coordenadora de articulação de políticas de inclusão junto aos sistemas de ensino do Ministério da Educação (MEC).
Segundo o site do MEC, o governo trabalha atualmente para facilitar a identificação dos alunos com altas habilidades e, então, desenvolver melhor seus talentos. O desafio é desmitificar a figura do superdotado e identificar a superdotação como característica presente em muitos alunos. “É comum que haja estudantes com altas habilidades em determinada área de conhecimento e déficit em outra”, explica Marta Dutra. Todos os estados brasileiros têm um Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAHS), que atua com alunos matriculados na rede regular de ensino com indicativo de altas habilidades ou superdotação.
A ação do núcleo é estruturada em três vias: atendimento ao professor, ao aluno e à família. Ao professor, são dadas orientações tanto para a identificação dos estudantes quanto para melhor inserção deles em sala de aula. Já à família, são dadas instruções para que não haja a construção de expectativas que, a longo prazo, comprometam o desenvolvimento emocional das crianças. “As famílias acabam por pressionar os estudantes com suas expectativas e os núcleos ajudam-nos a lidar com isso”, ressalta Marta
CRIANÇAS COM ALTAS HABILIDADES....(continuação-final)
O superdotado apresenta três características, que devem ser freqüentes e duradouras, assim como a intensidade, persistência e consistência. São elas: habilidade acima da média, criatividade e compromisso com a tarefa.
A criança apenas precoce apresenta só um desses comportamentos (normalmente a habilidade).
A criança superdotada está sempre acima da média, enquanto a precoce se ajusta à média em algum momento da vida infantil.
As altas habilidades estão em várias áreas, não só no desempenho acadêmico ou científico.
Uma corrente pedagógica diz que não existe escola ideal e que as crianças superdotadas devem permanecer em classes regulares, estando adiantadas ou não. No entanto, o professor deve saber identificá-las e propor atividades extras.
Não se deve sobrecarregar o superdotado com tarefas, mas sim acompanhar e oferecer subsídios para o desenvolvimento de seu potencial - lembrando que as atividades não devem estimular apenas o potencial identificado. Mesmo que a criança goste de matemática, por exemplo, o ideal é incentivá-la a estudar português e praticar esportes, por exemplo;
Não transforme a criança num pequeno adulto, mesmo que ela seja excelente artista ou aluna.
Decidir se a criança deve pular ou não um ano na escola deve considerar também a maturidade, e não apenas a habilidade do aluno. Por isso, considere com cuidado a possibilidade de aceleração porque a educação não é apenas o conteúdo, é formação e vivência.
Não incentive a competição.
Fonte: Um Olhar para as Altas Habilidades- Construindo Caminhos, da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo
grande interesse por um assunto e especial dedicação a ele
ótima memória
criatividade
facilidade de aprendizagem
alfabetização precoce
excelente desempenho em uma ou mais disciplinas em comparação a seus pares
habilidade para adaptar ou modificar idéias
facilidade em fazer observações perspicazes
persistência ao buscar um objetivo
comportamento que requer pouca orientação do professor
Crianças que não são identificadas precocemente mostram-se:
desinteressadas pela escola
vulneráveis a críticas
com problemas de conduta, como indisciplina
questionadoras das regras
Algumas crianças podem ser precoces e parecer ter altas habilidades até os oito ou noves anos - quando acabam por se igualar aos colegas de sua faixa etária. Se esses talentos persistirem depois dessa idade, é muito provável que se trate de um superdotado. Por isso, alguns cuidados na identificação podem evitar confusões.
Manual produzido pela Secretaria da Educação de São Paulo ensina professores da rede pública a identificar um aluno superdotado em sala de aula - e as mesmas regras servem para os pais
Laura Lopes
A Secretaria de Estado da Educação de São Paulo lançou, em dezembro, o manual Um Olhar para as Altas Habilidades, que será distribuído aos professores da rede pública de ensino a partir de janeiro de 2009. A publicação ensina os docentes a identificar, em sala de aula, um aluno superdotado, com altas habilidades em alguma área, e fala sobre o que fazer para que seu talento seja desenvolvido. A organizadora, Christina Cupertino, psícóloga, enumera as principais características desses alunos, dá dicas de que tipo de comportamento é preciso observar e conta a experiência de outros professores que conseguiram fazer essas crianças e adolescentes desenvolverem suas habilidades.
O trabalho começou há um ano e meio, quando a Secretaria formou 270 docentes capazes de identificar tais alunos. Desde então, por meio do programa "Caça-Talentos", o número de alunos superdotados matriculados nas escolas públicas paulistas pulou de 97 para 397. Isso não quer dizer que o número de gênios está aumentando, mas que eles estão sendo identificados pelos professores. "Superdotado não é aquele estudante que tem facilidade de memorizar fórmulas e decorar datas, como a maioria pensa", afirma Maria Elisabete da Costa, diretora do Centro de Apoio Pedagógico Especializado (Cape), órgão da Secretaria responsável pela capacitação dos professores. "Ele é aquele que combina sensibilidade, criatividade e capacidade de criar e propor soluções novas para problemas na sala de aula".
BOLSA FAMILIA-SAUDE INFANTIL-POUCO IMPACTO-CONTINUAÇÃO 1
Nessa faixa, a diferença entre beneficiários e não beneficiários não existe", ressalta o pesquisador. "As orientações que deveriam ser dadas aos pais, de acompanhamento do peso, por exemplo, podem não estar sendo dadas."
Para crianças até 12 meses, o efeito é positivo, ou seja, aquelas que são beneficiadas pelo programa estão menos sujeitas ao problema do que as que estão fora.
Ribas atribui o fenômeno a uma boa instrução das mães no período pré-natal e pós-parto, cuidado que, supõe, esteja sendo abandonado depois dos 12 meses da criança.
Os economistas Fábio Veras Soares e Rafael Guerreiro Osório foram co-autores de Rafael Ribas no estudo, intitulado Avaliando o Impacto do Programa Bolsa Família: uma comparação com programas de transferência condicionada de renda de outros países.
O Bolsa Família é comparado com os programas de transferência de renda do Chile (Chile Solidário) e do México (Oportunidades). Eles concluem, por exemplo, que o programa brasileiro é o menos eficaz dos três quando se analisa o impacto sobre os 10% mais pobres. "Destinam, respectivamente, 36% e 37% do total das transferências para esse grupo, contra 33% do Bolsa Família", diz o estudo.
Segundo o trabalho, porém, o programa brasileiro tem o melhor desempenho quando é considerado o volume total de transferências.
Apesar das ressalvas, os pesquisadores concluem que o Bolsa Família está cumprindo os seus objetivos de transferir renda e diminuir a proporção de pobres no país e destacam que os três programas de transferência de renda tiveram "excelente desempenho" na seleção dos beneficiários.
Eles também contestam críticas de que o Bolsa Família desestimula os beneficiários a trabalhar. Segundo o estudo, os adultos que eram atendidos pelo programa em 2005 tinham uma participação vezes 2,6 maior na força de trabalho em relação aos que estavam fora do programa. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
Bolsa Família tem pouco impacto sobre saúde infantil, diz estudo
Estudo da ONU diz que faltam serviços para atender à demanda criada por programa.
Carolina Glycerio - BBC
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De São Paulo - O Bolsa Família tem pouco impacto na saúde das crianças das famílias atendidas pelo programa, indica um estudo do Centro Internacional de Pobreza, instituição de pesquisa do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).
Segundo os autores do estudo, o programa eleva a demanda por serviços de educação e saúde porque exige que os pais mantenham os filhos na escola, cumpram o calendário de vacinação infantil e, no caso de mulheres grávidas, façam exames pré-natal.
Por outro lado, essas necessidades nem sempre são atendidas porque, supõem os pesquisadores, nem todas as famílias têm acesso a uma boa estrutura de educação e saúde.
"As nossas conclusões apontam que pelo lado da demanda, pode estar dando certo, mas o que pode não estar dando certo é a escassez de oferta e a falta da qualidade de serviço", afirma um dos autores, o economista Rafael Perez Ribas.
Por exemplo, uma porcentagem entre 70% e 80% das crianças de famílias inscritas no programa têm carteira de vacinação e, entre elas, nem todas estão com as vacinas em dia.
"Os dados nos levam a presumir que a cobertura de saúde para as famílias beneficiárias não é tão universal quanto se pensava."
Ribas e outros dois pesquisadores do Centro Internacional de Pobreza, parceria do Pnud com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), analisaram dados de 2005 da Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação (Sage) do Ministério do Desenvolvimento Social.
As comparações foram sempre feitas com famílias em situação de pobreza semelhante, mas excluídas do programa.
Os números mostraram também que, embora o programa aumente a freqüência escolar, por exigir que as crianças das famílias beneficiárias freqüentem a escola, elas repetem mais de ano do que aquelas que estão fora do Bolsa Família.
Para Ribas, isso mostra que o grupo de crianças que antes deixava de estudar, por causa de dificuldades de aprendizado, agora está na escola, o que é positivo. Entretanto também expõe a falta de qualidade do ensino.
"Programas como o Bolsa Família não vêm para resolver o problema da qualidade da educação", afirma o economista.
"O programa dá incentivo para a criança permanecer na escola e nisso cumpre a sua função. Mas é a qualidade do ensino que vai determinar a sua aprovação."
"Falta uma integração de políticas entre os ministérios."
Os dados também indicam que o programa tem sido ineficaz no combate à desnutrição infantil na faixa dos 12 aos 35 meses de vida, a fase mais crítica do desenvolvimento da criança, em que o problema pode provocar conseqüências irreversíveis.
O colégio de médicos de Viena advertiu hoje sobre o risco que representa para a saúde das crianças o uso excessivo do telefone celular, devido aos danos provocados pelas ondas eletromagnéticas. Estas considerações foram feitas pelos médicos austríacos ao interpretar o denominado "Estudo Reflex", no qual se especifica que as radiações dos telefones celulares são genotóxicas (daninhas para o DNA) e potencialmente cancerígenas.
Como primeira medida, o Colégio Médico criou um catálogo de conselhos que especificam a forma de atuar para mitigar o efeito sobre a saúde dos usuários. Assim, os médicos indicam que só se utilize o celular em caso de urgência e por curto tempo.
Os médicos também recomendam que se desligue o telefone à noite, não o deixe perto da cabeceira da cama e não se utilize os jogos destes aparelhos, recomendações também aplicáveis aos adultos.
"Se uma pesquisa mostrasse que um remédio tivesse os mesmos resultados que este sobre os celulares, deveria ser retirado imediatamente do mercado", declarou Erik Huber, especialista em medicina ambiental do colégio médico. "Temos que levar em conta que as crianças são mais sensíveis às radiações do que os adultos, já que os ossos do crânio são mais finos" e os "efeitos genotóxicos" são maiores nas células infantis, acrescentou o especialista.
O Estudo Reflex foi feito a pedido da Comissão Européia e contou com a colaboração de 12 importantes centros de pesquisa de sete países do Velho Continente.
Assinale as alternativas que mais correspondem ao comportamento de seu filho no último mês
Ele se mostrou muito tenso
Ele se mostrou agressivo
Esteve muito impaciente
Ficou triste
Sem motivo aparente, ficou entusiasmado
Demonstrou desânimo
Disse ter pensamentos negativos recorrentes
Teve dificuldade para acordar
Teve dificuldade de interagir com meninos e meninas da sua idade
Demonstrou estar com a auto-estima baixa e só viu defeitos em si próprio
Começou a ter dificuldades nos estudos
Começou a usar cigarro, álcool, remédios calmantes ou drogas ilícitas, como maconha
Esteve sempre cansado
Teve dores de cabeça freqüentes
Não conseguiu se concentrar
Rangeu os dentes
Teve insônia
Suas mãos estiveram freqüentemente trêmulas
Suou excessivamente nas mãos
Ficou constantemente gripado
Pontos
Análise: assinalar mais de onze sintomas pode indicar um quadro de stress. Nesse caso, é recomendável procurar um especialista
* O teste, desenvolvido pela psicóloga Valquiria Tricoli com base na Escala de Stress para Adolescentes, serve apenas como indicativo de stress, não como diagnóstico
De cada dez adolescentes, estima-se, três são vítimas do mal. É quase a média registrada entre os adultos – 50%. "A adolescência é a faixa etária que mais nos preocupa: o stress juvenil é nocivo não só para o próprio adolescente como para a sociedade", diz Marilda Lipp. "Adolescentes estressados estão mais sujeitos, por exemplo, ao uso de drogas e ao isolamento social." De longe, todo jovem nessa fase parece um estressado. Eles não estão satisfeitos com nada, reclamam de tudo e de todos, sentem-se incompreendidos e desconfortáveis com o corpo em transformação. Há, no entanto, diferenças cruciais entre um adolescente simplesmente "aborrescente" e um estressado. Um dos sintomas mais graves do stress juvenil é a insônia – um jovem nesse período é programado biologicamente para dormir muito, visto que é durante o sono que se intensifica a produção do hormônio do crescimento. Quando a dificuldade para dormir se manifesta, é sinal de que o problema já se instalou e comprometeu todo o funcionamento do organismo. Além da insônia, outras características do stress juvenil são desânimo, impaciência, dores de cabeça, falta de concentração, cansaço excessivo ou entusiasmo exagerado e repentino, sem motivo explícito. A pedido de VEJA, a psicóloga Valquiria Tricoli elaborou um teste que pode indicar a ocorrência do stress juvenil (veja quadro).
O paulistano Nyckolas Moquedace, de 15 anos, está em tratamento para controlar os efeitos do stress na sua vida. Uma vez por semana, ele vai ao consultório de um psicoterapeuta. Foi parar lá por exigir tanto de si próprio que seu corpo quase entrou em pane. No fim do ano passado, Nyckolas resolveu transferir-se para uma escola mais forte, a fim de evitar a necessidade de fazer um curso pré-vestibular. Daqui a três anos, ele quer cursar economia numa das faculdades mais concorridas da área. "Tenho horror só de pensar em perder um ano da minha vida no cursinho", diz. "Se isso acontecer, meus planos de fazer pós-graduação antes de casar e ter filhos serão atropelados." O excesso de tarefas e provas fez com que o garoto interrompesse parte de suas atividades esportivas e passasse menos tempo com a namorada. Todas essas mudanças deflagraram nele um quadro de stress. Nyckolas perde a concentração facilmente, sofre de insônia, tem dores de cabeça freqüentes e sente-se desmotivado para jogar futebol, um dos seus maiores prazeres.
O stress é uma resposta do organismo a situações novas, sejam elas boas ou ruins. Nessas ocasiões, há uma produção excessiva de dois hormônios – o cortisol e a adrenalina. Responsáveis por deixar o ser humano em estado de alerta, essas substâncias se tornam nocivas quando liberadas constantemente. Se isso ocorre, o organismo padece. "Quando a atitude diante de uma novidade não é proporcional, a produção de adrenalina e cortisol dura mais tempo e as conseqüências tendem a ser graves", diz a psicóloga Ana Maria Rossi, autora do livro Dá um Tempo – Identificar, Prevenir e Administrar o Estresse na Adolescência, lançado no início do ano. Atenção, portanto: se o seu "aborrescente" anda aborrecido e aborrecendo além da conta, talvez seja o caso de procurar ajuda.
Acaba de ser publicada a primeira escala brasileira de medição do stress em adolescentes. Elaborado pelas psicólogas Valquiria Tricoli e Marilda Lipp, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, em São Paulo, o teste é um instrumento importante para a detecção e o tratamento do transtorno em meninos e meninas entre 14 e 18 anos. Até então, essa avaliação era feita com base em escalas destinadas a adultos e crianças. "Esses métodos, no entanto, nunca contemplaram a realidade juvenil, o que induzia a erros de diagnóstico", diz a psicóloga Iracema Francisco Frade, pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo. Sem tratamento, o stress pode se tornar crônico e deflagrar nos jovens doenças típicas de adultos, como hipertensão, diabetes tipo 2 e gastrite, entre outras.